
"Isso é parte inseparável do processo de criação. Não há verdadeira criação sem riscos, e portanto, sem uma cota de incertezas. Eu nunca torno a ler meus livros depois de editados, com medo de encontrar defeitos que tenham passado despercebidos. Quando vejo a quantidade de exemplares vendidos e as maravilhas que os críticos dizem, dá medo descobrir que estão todos enganados, críticos e leitores, e que o livro, na verdade, é uma merda. E tem mais: sem falsa modéstia, quando fiquei sabendo que tinham me dado Nobel, minha primeira reação foi pensar "Eles acreditaram, porra! Caíram na minha lorota?".
Essa dose de insegurança é terrível, mas ao mesmo tempo necessária, para fazer algo que valha a pena. Os arrogantes, que sabem tudo, que nunca têm dúvidas, acabam dando tanta cabeçada que morrem disso."
Gabriel García Marquez, em "Como Contar um Conto", 1997 casa jorge editorial
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