
A UNANIMIDADE É O CEMITÉRIO DOS ARTISTAS
Na agitação de fim de tarde no Leblon, há um pequeno laboratório de momentos de beleza em plena atividade no último andar de um prédio de apartamentos. É um espaço residencial adaptado a estúdio de gravação onde, desta vez, nada se grava. Uma figura magra, ligeiramente encurvada, de guitarra em punho, enfrenta oito músicos com a tranquilidade de quem anda nesta vida há quatro décadas. Chico Buarque e a banda que o acompanha fazem os últimos ensaios antes do regresso ao palco de um músico afastado da música durante oito anos. O violão esteve posto de parte para que Chico pudesse escrever o romance Budapeste, a que não faltaram elogios e prémios. Apesar da fama e do reconhecimento, no Brasil e pelo mundo fora, afirma que não se leva especialmente a sério. Nem na música nem na literatura.
Carlos Vaz Marques, em "MPB.pt" 2006, Tinta da China.
ilustração por Vera Tavares
0 COMENTÁRIOS:
Postar um comentário