(1919 - 2010) J.D. Salinger

28.1.10



Que sorte não ser apanhado em um campo aberto e morrer aos 91 anos de causas naturais.

27.1.10



Jimmy Corrigan é certamente difícil de ler-se. Mas a atenção nos detalhes é impressionante. Chris Ware é o mestre do estilo semiótico, adorando sinais de trânsito, sinais de homens WC, sinais de hospital, etc. Ele consegue imprimir significado emocional para um mundo de imagens. A história conta essas desventuras com uma prosa carregada de lirismo e melancolia, adornada por um estilo gráfico único, e, sinceramente, indescritível. Bebendo dos quadrinhos do início do século 20, da arquitetura, do design publicitário, repetindo cenas e desconstruindo quadros. Ele assume, em um pós-escrito franco e comovedor, que criou o personagem para lidar com seus próprios problemas relacionados a um pai desconhecido – tanto por fora quanto por dentro, Jimmy Corrigan reafirma o poder transformador da imaginação.

Chris Ware, in "Jimmy Corrigan - O Menino mais Esperto do Mundo". 2009 Companhia das Letras
trad. Daniel Galera

17.1.10


A BUNDA, QUE ENGRAÇADA

A bunda, que engraçada.
Está sempre sorrindo, nunca é trágica.
Não lhe importa o que vai
pela frente do corpo. A bunda basta-se.

Existe algo mais? Talvez os seios.
Ora – murmura a bunda – esses garotos
ainda lhes falta muito que estudar.
A bunda são duas luas gêmeas
em rotundo meneio. Anda por si
na cadência mimosa, no milagre
de ser duas em uma, plenamente .

A bunda se diverte
por conta própria. E ama.
Na cama agita-se. Montanhas
avolumam-se, descem. Ondas batendo
numa praia infinita.

Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz
na carícia de ser e balançar.
Esferas harmoniosas sobre o caos.

A bunda é a bunda,
redunda.

Carlos Drummond de Andrade, in "O Amor natural" editora record, 1992.
ilust. Milton da Costa

10.1.10


HOMENS EM ARMAS

Os nazis alemães ele sabia que eram loucos e maus. A participação deles desonrava a causa da Espanha, mas os problemas da Boêmia, no ano anterior, deixaram-no bastante indiferente. Quando Praga caiu, ele sabia que a guerra era inevitável. Achou que seu país entraria na guerra em pânico, pelas razões erradas ou por nenhuma razão, com os aliados errados, em deplorável fraqueza. Mas agora tudo ficara esplendidamente claro. O inimigo, finalmente, estava à vista, imenso e odioso, todo disfarce sumira. Era a Idade Moderna em armas. Fosse qual fosse o resultado, havia um lugar para ele naquela batalha.

Evelyn Waugh, em A Espada de Honra - vol. 1
nova fronteira, trad. Antônio Sepúlveda.

visões da europa

7.1.10



Prólogo Visões da Europa, por Béla Tarr (2004)

Um dos mais inquietantes curtas metragens da história do cinema europeu contemporâneo, entre rostos desconhecidos de um continente num angulo pouco visto, e a simplicidade desta obra-prima que nos convoca a ver a espera. E algo mais.

5.1.10



imagem de Jan Saudek - hungry for your touch - 1971

Ouvia Just Like Heaven para se lembrar dela, comprava rosas vermelhas para se lembrar dela, colocava determinado perfume na pele para se lembrar dela, guardava uma foto na carteira para se lembrar dela. Pagava para dormir com prostitutas para se esquecer dela.